O Hyundai Creta deverá passar por uma das maiores mudanças de sua história no Brasil.
A próxima geração do SUV está em desenvolvimento e deverá estrear no mercado brasileiro em 2028, trazendo uma novidade ainda mais importante debaixo do capô:
o novo Hyundai Creta deverá ser híbrido flex.
Mais do que simplesmente eletrificar um dos SUVs mais vendidos do país, a novidade poderá marcar a estreia da tecnologia híbrida flex da Hyundai produzida nacionalmente.
E não estamos falando apenas de um sistema híbrido leve de 48 V.
As informações disponíveis até agora apontam para um híbrido pleno, conhecido como HEV, capaz de utilizar a propulsão elétrica de maneira muito mais significativa.
Mas como esse sistema deverá funcionar?
O Creta atual vai sair de linha?
Qual motor será utilizado?
E quando o novo Creta híbrido flex realmente chegará às lojas?
Vamos entender.
Novo Hyundai Creta chega ao Brasil em 2028
A terceira geração do Hyundai Creta deverá ser apresentada mundialmente em 2027.
No Brasil, entretanto, a previsão é que o novo modelo chegue somente no primeiro semestre de 2028.
Internamente, o projeto é conhecido pelo código SX3.
A versão brasileira utiliza a identificação SX3b.
Uma das grandes mudanças será a aproximação entre os projetos do Creta e do Hyundai Kona.
A tendência é que os dois modelos compartilhem boa parte da arquitetura global, embora o nome Creta continue sendo utilizado no Brasil e em outros mercados onde o SUV já possui uma presença muito forte.
Novo Creta será produzido no Brasil
Assim como acontece atualmente, a nova geração deverá continuar sendo produzida na fábrica da Hyundai em Piracicaba, interior de São Paulo.
A unidade brasileira já produz diferentes modelos da fabricante e vem recebendo investimentos para acompanhar a próxima fase da Hyundai no país.
A própria Hyundai confirmou que trabalha no desenvolvimento de sistemas híbridos flex específicos para o mercado brasileiro.
Isso é importante porque o Brasil possui uma característica bastante diferente de outros mercados:
o etanol.
Portanto, em vez de simplesmente trazer para cá um sistema híbrido desenvolvido exclusivamente para gasolina, a fabricante pretende adaptar sua estratégia de eletrificação à realidade brasileira.
O que é um híbrido flex?
Aqui está a parte mais interessante.
Um veículo híbrido combina basicamente:
motor a combustão + motor elétrico + bateria.
No caso de um híbrido flex, o motor a combustão também pode utilizar gasolina ou etanol.
Isso significa que o futuro Creta poderá combinar:
gasolina + etanol + eletricidade.
O objetivo é reduzir principalmente o consumo de combustível e as emissões.
Mas existem diferentes tipos de veículos híbridos.
E essa diferença é importante.
Híbrido leve, híbrido pleno e plug-in: qual a diferença?
Nem todo carro chamado de híbrido funciona da mesma maneira.
Híbrido leve — MHEV
O chamado Mild Hybrid, ou híbrido leve, utiliza normalmente um pequeno motor-gerador para auxiliar o motor a combustão.
Esse sistema pode ajudar em:
- partidas;
- retomadas;
- acelerações;
- recuperação de energia nas desacelerações.
Mas normalmente não consegue movimentar o veículo por períodos relevantes utilizando apenas eletricidade.
É uma eletrificação mais simples.
Híbrido pleno — HEV
O Hybrid Electric Vehicle, ou híbrido pleno, utiliza um sistema elétrico muito mais participativo.
Dependendo das condições, o veículo pode:
andar utilizando apenas o motor elétrico;
utilizar somente o motor a combustão;
ou
combinar os dois motores.
A bateria é recarregada pelo próprio sistema do veículo através do motor a combustão e da recuperação de energia durante frenagens e desacelerações.
Portanto:
não é necessário conectar o carro em uma tomada.
É justamente esse tipo de tecnologia que deverá ser utilizado no futuro Creta híbrido flex.
Híbrido plug-in — PHEV
Já o híbrido plug-in possui uma bateria consideravelmente maior.
Nesse caso, o veículo pode rodar distâncias maiores utilizando somente eletricidade.
Porém, para aproveitar todo o potencial do sistema, é necessário carregar a bateria externamente.
Ou seja:
precisa de tomada ou carregador.
Até o momento, as informações disponíveis sobre o futuro Creta brasileiro apontam para um HEV, e não para um PHEV.
Por que a Hyundai escolheu um híbrido pleno?
Essa decisão pode ser bastante importante para o mercado brasileiro.
Um sistema HEV permite reduzir o consumo sem exigir que o proprietário tenha:
- carregador residencial;
- wallbox;
- garagem com tomada;
- infraestrutura pública de recarga.
O motorista simplesmente abastece normalmente e utiliza o veículo.
A eletrônica decide quando utilizar o motor elétrico, quando ligar o motor a combustão e quando combinar os dois.
Para um modelo de grande volume como o Creta, essa solução pode facilitar bastante a adaptação dos consumidores à eletrificação.
E onde entra o etanol?
É aqui que a tecnologia fica ainda mais interessante para o Brasil.
O etanol possui características diferentes da gasolina e pode desempenhar um papel importante na redução das emissões de carbono quando analisamos todo o ciclo do combustível.
Ao combinar um sistema híbrido com um motor flex, o proprietário poderá utilizar:
gasolina, etanol ou a mistura dos dois, enquanto o sistema elétrico ajuda a reduzir o tempo de funcionamento e a carga exigida do motor a combustão em determinadas situações.
Especialmente no trânsito urbano, onde existem muitas frenagens e acelerações, sistemas híbridos costumam apresentar uma vantagem importante.
Durante as desacelerações, parte da energia que normalmente seria perdida em forma de calor nos freios pode ser recuperada e utilizada para recarregar a bateria.
Qual será o motor do Creta híbrido?
Aqui precisamos ter cuidado.
A Hyundai ainda não divulgou oficialmente a ficha técnica definitiva do Creta híbrido flex brasileiro.
Existem referências e informações sobre possíveis motores que poderão fazer parte do projeto, mas potência, torque, capacidade da bateria e consumo ainda não foram oficialmente confirmados para o veículo nacional.
Portanto, qualquer número apresentado neste momento deve ser tratado como projeção, e não como especificação definitiva.
Isso também vale para o consumo.
Será necessário aguardar a homologação brasileira para conhecermos os números oficiais.
O motor 1.6 turbo também deve continuar importante
Enquanto o híbrido será a grande novidade, a Hyundai já começou uma transformação mecânica no Creta vendido atualmente.
A linha 2027 recebeu o motor:
1.6 Turbo GDI Flex
Nas versões equipadas com esse conjunto, temos:
- quatro cilindros;
- injeção direta;
- turbo;
- até 176 cv;
- 27 kgfm de torque;
- câmbio automatizado de dupla embreagem de sete marchas.
O conjunto colocou o Creta atual em um patamar bastante elevado de desempenho.
Segundo dados da Hyundai, o Creta equipado com o 1.6 turbo pode acelerar de:
0 a 100 km/h em aproximadamente 8,1 segundos.
Isso mostra que a Hyundai já está reposicionando mecanicamente o modelo antes mesmo da chegada da próxima geração.
E o motor 1.0 turbo?
Atualmente, boa parte da linha Creta utiliza o conhecido motor 1.0 TGDI flex.
Entretanto, a próxima geração poderá mudar essa estratégia.
Com o crescimento do Creta e a chegada de novos SUVs menores dentro da própria gama da Hyundai, existe a possibilidade de o 1.0 turbo ficar concentrado nos modelos posicionados abaixo do Creta.
O novo SUV poderia, assim, subir um degrau dentro da linha.
Mas, novamente:
a gama definitiva de motores do Creta 2028 brasileiro ainda não foi oficialmente apresentada pela Hyundai.
Novo Creta deve ficar maior
Outra mudança esperada está nas dimensões.
O Creta atual possui aproximadamente:
4,33 metros de comprimento
e
2,61 metros de entre-eixos.
A próxima geração deverá crescer e poderá ficar próxima dos 4,40 metros de comprimento.
Se isso realmente acontecer, teremos um Creta cada vez mais distante da ideia de um SUV compacto pequeno.
O modelo poderá se aproximar, em dimensões, de SUVs posicionados acima dele.
Isso também explica por que a Hyundai poderá utilizar outros veículos menores para ocupar a faixa de entrada de sua gama de SUVs.
Creta e Kona ficarão mais próximos
Outra mudança importante do projeto SX3 é a aproximação com o Hyundai Kona.
Hoje, Creta e Kona possuem propostas bastante distintas dependendo do mercado.
Na próxima geração, entretanto, os projetos deverão ser mais integrados.
Isso permite à fabricante compartilhar:
- arquitetura;
- componentes;
- eletrônica;
- sistemas de segurança;
- tecnologias de eletrificação.
Para a indústria, esse compartilhamento pode reduzir custos de desenvolvimento e produção.
Para o consumidor, pode significar acesso a tecnologias globais em um veículo produzido nacionalmente.
O Creta atual vai sair de linha agora?
Não.
Esse é um ponto importante.
Estamos falando de um veículo previsto para 2028.
O Creta vendido atualmente continuará normalmente no mercado até que a Hyundai faça a transição para a próxima geração.
Inclusive, a linha atual acabou de receber mudanças importantes.
A linha 2027 possui versões equipadas com o 1.0 turbo e opções com o novo 1.6 Turbo GDI Flex de até 176 cv.
Portanto, não faz sentido deixar de comprar um Creta atual simplesmente porque uma nova geração chegará daqui a aproximadamente dois anos.
Quanto vai custar o Creta híbrido flex?
Ainda não existe preço oficial.
E qualquer valor divulgado agora seria apenas especulação.
O posicionamento do modelo dependerá de vários fatores:
- custo da tecnologia híbrida;
- nível de nacionalização;
- preço das baterias;
- tributação;
- versões disponíveis;
- equipamentos;
- situação do mercado em 2028.
Entretanto, existe uma tendência clara:
o Creta está gradualmente subindo de categoria.
A versão Ultimate atual já passa da faixa dos R$ 200 mil em preço sugerido antes de eventuais promoções.
Uma versão híbrida plena provavelmente será posicionada entre as configurações mais caras da futura geração.
Quem serão os concorrentes?
Até 2028, o mercado brasileiro estará muito diferente do atual.
A quantidade de carros híbridos deverá crescer significativamente.
Portanto, o futuro Creta híbrido flex poderá enfrentar modelos de fabricantes como:
Toyota, BYD, GWM, Volkswagen, Chevrolet e outras marcas que também estão ampliando suas estratégias de eletrificação.
A grande vantagem da Hyundai poderá estar justamente na combinação:
produção nacional + tecnologia híbrida + motor flex.
Se a fabricante conseguir produzir boa parte desse conjunto no Brasil, poderá ter maior controle sobre custos e disponibilidade.
A Hyundai está realmente investindo em híbridos flex no Brasil?
Sim.
E essa é uma das partes confirmadas oficialmente pela fabricante.
A Hyundai anunciou que está acelerando o desenvolvimento de conjuntos FFV-HEV, ou seja, sistemas híbridos combinados com motores capazes de utilizar gasolina e etanol.
A empresa afirmou ainda que essa tecnologia está sendo desenvolvida especificamente levando em consideração o ecossistema brasileiro de combustíveis.
Portanto, mesmo que alguns detalhes específicos do Creta 2028 ainda dependam de confirmação, a estratégia de desenvolver híbridos flex para o Brasil é oficial.
Creta híbrido pode ser um grande passo para a Hyundai
O Creta não é um produto de nicho.
É um dos veículos mais importantes da Hyundai no mercado brasileiro.
Colocar uma nova tecnologia justamente nesse modelo mostra que a eletrificação deverá deixar de ficar restrita a veículos mais caros ou importados.
Se o projeto realmente chegar ao mercado conforme previsto, teremos um SUV:
produzido no Brasil;
híbrido pleno;
flex;
e pertencente a um segmento de grande volume.
Isso pode acelerar bastante a popularização dos híbridos nacionais.
Novo Hyundai Creta híbrido flex vale a pena esperar?
Depende do momento da compra.
Quem precisa de um veículo agora não deveria necessariamente esperar até 2028.
O Creta atual ainda possui uma vida comercial considerável pela frente e recebeu atualizações recentes.
Por outro lado, para quem pretende trocar de carro somente daqui a dois ou três anos, a próxima geração merece atenção.
Principalmente porque não será apenas uma mudança estética.
Estamos falando potencialmente de:
nova plataforma, novas dimensões, nova eletrônica e principalmente uma nova geração de motorização híbrida flex.
Pode ser uma das maiores transformações do Creta desde que o modelo chegou ao Brasil.
Fontes e referências
• Hyundai Motor Brasil — informações oficiais sobre estratégia de eletrificação e desenvolvimento de sistemas híbridos flex no Brasil.
Dica Nissi 🔧⚡
Carro híbrido não significa simplesmente colocar um motor elétrico ao lado de um motor a combustão.
Existe uma integração complexa entre:
motor, gerador, inversor, bateria de alta tensão, transmissão, módulos eletrônicos e sistema de regeneração de energia.
E quanto mais veículos híbridos chegam às ruas, mais importante será a capacitação das oficinas.
O diagnóstico automotivo está mudando.
Além de entender combustão, injeção eletrônica e transmissão, o profissional terá cada vez mais contato com:
eletrônica de potência, máquinas elétricas, gerenciamento de baterias e sistemas de alta tensão.
O futuro da manutenção automotiva não será somente elétrico ou somente a combustão.
Por muitos anos, provavelmente será uma combinação dos dois.
E o futuro Creta híbrido flex é um ótimo exemplo dessa transformação.
Nissi EletricMec — Te ajuda na elétrica e na mecânica.