O Ford Ka de segunda geração, popularmente chamado de Ka G2, é um dos compactos usados que ainda encontramos com muita frequência nas ruas e nas oficinas brasileiras.
Produzido no Brasil entre 2008 e 2013, ele manteve uma receita relativamente simples: carroceria compacta de três portas, manutenção conhecida e os tradicionais motores Zetec Rocam Flex 1.0 e 1.6.
Nesta Ficha Técnica NISSI, reunimos informações importantes para proprietários, mecânicos e pessoas que estão pensando em comprar um Ford Ka dessa geração.
Ford Ka G2 — Resumo da ficha técnica
| Característica | Ford Ka 1.0 | Ford Ka 1.6 |
|---|---|---|
| Geração | Segunda geração | Segunda geração |
| Produção no Brasil | 2008–2013 | 2008–2013 |
| Combustível | Flex | Flex |
| Motor | Zetec Rocam 1.0 | Zetec Rocam 1.6 |
| Cilindros | 4 | 4 |
| Válvulas | 8 | 8 |
| Comando | SOHC | SOHC |
| Transmissão | Manual | Manual |
| Marchas | 5 | 5 |
| Tração | Dianteira | Dianteira |
| Carroceria | Hatch 3 portas | Hatch 3 portas |
| Capacidade | 5 ocupantes | 5 ocupantes |
Qual motor equipa o Ford Ka G2?
O Ka dessa geração utilizou os conhecidos motores da família Zetec Rocam.
Foram oferecidas duas motorizações principais:
Ford Ka 1.0 Zetec Rocam Flex
Motor de quatro cilindros e oito válvulas, voltado principalmente para economia e utilização urbana.
Foi a versão mais comum do Ka dessa geração e ainda é encontrada facilmente no mercado de usados.
Ford Ka 1.6 Zetec Rocam Flex
A versão 1.6 utilizava a mesma família de motores, mas entregava desempenho significativamente superior.
Por causa do baixo peso do Ka, o conjunto 1.6 acabou ficando conhecido por oferecer desempenho bastante interessante para um compacto dessa categoria.
Motor Zetec Rocam usa corrente ou correia dentada?
Essa é uma das informações mais importantes para quem está pesquisando manutenção desse veículo.
O motor Zetec Rocam utiliza corrente no acionamento do comando de válvulas.
Ou seja, ele não possui a tradicional correia dentada externa de sincronismo encontrada em diversos outros motores.
Isso não significa que o sistema seja eterno.
Corrente, tensionador, guias e engrenagens também podem apresentar desgaste.
Ruídos metálicos na região da distribuição, principalmente durante partidas ou funcionamento do motor, devem ser investigados.
Consumo de combustível e autonomia
O Ford Ka G2 foi comercializado com os motores 1.0 e 1.6 Zetec Rocam Flex, e naturalmente existem diferenças de consumo entre as duas motorizações.
Também é importante lembrar que os números podem variar conforme o ano/modelo, versão, combustível utilizado, condições de uso e metodologia de medição.
Ford Ka 1.0 — Consumo
| Combustível | Cidade | Estrada |
|---|---|---|
| Etanol | 8,1 km/l | 9,2 km/l |
| Gasolina | 11,6 km/l | 13,5 km/l |
Ford Ka 1.6 — Consumo
| Combustível | Cidade | Estrada |
|---|---|---|
| Etanol | 7,5 km/l | 9,5 km/l |
| Gasolina | 10,7 km/l | 13,7 km/l |
Capacidade do tanque
O tanque de combustível possui capacidade aproximada de 45 litros.
Com isso, podemos fazer uma estimativa da autonomia máxima teórica de cada motorização.
Ford Ka 1.0 — Autonomia estimada
| Combustível | Cidade | Estrada |
|---|---|---|
| Etanol | aproximadamente 365 km | aproximadamente 414 km |
| Gasolina | aproximadamente 522 km | aproximadamente 608 km |
Ford Ka 1.6 — Autonomia estimada
| Combustível | Cidade | Estrada |
|---|---|---|
| Etanol | aproximadamente 338 km | aproximadamente 428 km |
| Gasolina | aproximadamente 482 km | aproximadamente 617 km |
A autonomia real pode ser diferente
Esses valores de autonomia são estimativas matemáticas, considerando o consumo de referência multiplicado pela capacidade total do tanque.
Na prática, não é recomendado utilizar o veículo até consumir literalmente todo o combustível disponível.
Além disso, consumo e autonomia podem mudar bastante conforme:
trânsito;
velocidade média;
forma de condução;
quantidade de passageiros e carga;
utilização do ar-condicionado;
calibragem dos pneus;
qualidade do combustível;
condições de manutenção do motor.
Em um veículo com mais de dez anos de utilização, o estado de manutenção também pode fazer uma diferença significativa.
Velas desgastadas, problemas de ignição, sonda lambda com funcionamento inadequado, temperatura incorreta de funcionamento, baixa pressão dos pneus ou falhas no sistema de injeção podem provocar aumento no consumo.
Por isso, se um Ford Ka estiver consumindo combustível muito acima do esperado, não considere automaticamente que:
“Esse carro bebe mesmo.”
Consumo excessivo também pode ser sintoma de um problema mecânico ou eletrônico que precisa ser diagnosticado.
Câmbio do Ford Ka G2
O Ka utiliza transmissão manual de cinco velocidades.
As relações informadas pela Ford para os conjuntos 1.0 e 1.6 são diferentes.
Ka 1.0
| Marcha | Relação |
|---|---|
| 1ª | 4,083:1 |
| 2ª | 2,292:1 |
| 3ª | 1,517:1 |
| 4ª | 1,108:1 |
| 5ª | 0,878:1 |
| Ré | 3,615:1 |
| Relação final | 4,25:1 |
Ka 1.6
| Marcha | Relação |
|---|---|
| 1ª | 3,545:1 |
| 2ª | 2,045:1 |
| 3ª | 1,281:1 |
| 4ª | 0,951:1 |
| 5ª | 0,756:1 |
| Ré | 3,615:1 |
| Relação final | 3,82:1 |
Sistema elétrico
O sistema elétrico trabalha com bateria de 12 volts.
Segundo as especificações da Ford, a bateria utilizada é de 48 Ah.
A capacidade do alternador varia conforme os equipamentos instalados no veículo:
| Configuração | Alternador |
|---|---|
| Veículo sem ar-condicionado | 75 A |
| Com ar-condicionado e/ou direção hidráulica | 90 A |
Essa diferença é importante na hora de substituir o alternador ou analisar problemas no sistema de carga.
Não devemos escolher uma peça apenas porque fisicamente “serve” no veículo.
A especificação elétrica também precisa ser compatível.
Suspensão
O Ford Ka utiliza suspensão dianteira independente do tipo McPherson, configuração bastante comum em veículos compactos.
Na manutenção de veículos dessa idade, vale observar principalmente componentes como:
amortecedores;
coxins;
rolamentos superiores;
pivôs;
buchas;
terminais;
bieletas;
molas.
Mais importante que simplesmente substituir componentes é verificar o conjunto antes de elaborar o orçamento.
Sistema de freios
O Ka utiliza freios a disco no eixo dianteiro e tambores no eixo traseiro, configuração bastante comum nos compactos dessa época.
Em veículos usados com mais de dez anos, uma revisão de freios não deve se limitar às pastilhas.
É importante verificar também:
discos;
flexíveis;
fluido;
cilindros traseiros;
lonas;
tambores;
cilindro mestre;
servo-freio;
possíveis vazamentos.
Direção
Dependendo da versão e dos equipamentos, é possível encontrar unidades com diferentes configurações de assistência de direção.
Por isso, ao comprar peças ou consultar procedimentos de manutenção, confirme sempre ano, versão, motorização e equipamentos do veículo.
Arrefecimento merece atenção
Nos motores Zetec Rocam, assim como em qualquer motor usado com muitos anos de funcionamento, o sistema de arrefecimento merece uma inspeção cuidadosa.
Observe:
reservatório de expansão;
mangueiras;
válvula termostática;
bomba d'água;
radiador;
eletroventilador;
aditivo correto;
sinais de vazamento;
funcionamento na temperatura adequada.
Utilizar apenas água no sistema durante longos períodos pode favorecer corrosão e reduzir a vida útil dos componentes.
Qual óleo usar no Ford Ka G2?
Aqui existe um cuidado importante.
A especificação correta pode variar conforme ano, motorização e documentação técnica aplicável ao veículo.
Por isso, antes de simplesmente escolher o óleo pela viscosidade, consulte o manual correspondente ao ano e ao motor do seu Ka.
Mais importante do que procurar apenas “óleo para Ford Ka” é utilizar um lubrificante que atenda às especificações exigidas pela Ford para aquele conjunto.
Em motores antigos, também não recomendamos alterar a viscosidade simplesmente para tentar esconder ruídos, consumo de óleo ou baixa pressão.
Esses sintomas precisam ser diagnosticados.
Problemas que merecem atenção no Ka G2 usado
Nenhum veículo com mais de dez anos deve ser analisado apenas pelos chamados “problemas crônicos”.
O estado da unidade específica é muito mais importante.
Mesmo assim, ao avaliar um Ka G2 usado, recomendamos atenção especial a:
sistema de arrefecimento;
vazamentos de óleo;
ruídos no motor;
corrente e componentes do sincronismo;
embreagem;
suspensão dianteira;
coxins;
sistema elétrico;
alternador;
ar-condicionado;
funcionamento da ventoinha;
sinais de superaquecimento anterior.
Também vale fazer uma inspeção estrutural para identificar reparos de colisões anteriores.
Ford Ka G2 é barato de manter?
De maneira geral, é um veículo de mecânica conhecida e com boa disponibilidade de peças no mercado brasileiro.
Isso pode tornar sua manutenção relativamente acessível quando comparada à de veículos mais complexos.
Mas existe uma questão importante:
o Ka G2 mais novo já passou dos dez anos de uso.
Portanto, atualmente a condição do veículo pesa muito mais do que simplesmente o modelo.
Um Ka bem conservado pode exigir apenas manutenção normal.
Um exemplar negligenciado durante anos pode exigir uma sequência de reparos que rapidamente elimina qualquer vantagem do preço baixo de compra.
Vale a pena comprar um Ford Ka G2 usado?
Pode valer.
É um veículo compacto, simples e com mecânica bastante conhecida no mercado independente.
Para utilização urbana, principalmente, ainda pode cumprir muito bem sua função.
Mas a compra deve ser baseada no estado real do veículo, não apenas no preço.
Antes de comprar, recomendamos verificar:
funcionamento do motor frio e quente;
pressão e luz do óleo;
sistema de arrefecimento;
vazamentos;
embreagem;
câmbio;
suspensão;
freios;
sistema elétrico;
ar-condicionado;
pneus;
estrutura;
documentação;
histórico de manutenção.
Uma avaliação pré-compra pode custar muito menos do que descobrir um motor ou câmbio com problemas depois de fechar negócio.
Conclusão
O Ford Ka G2 2008 a 2013 marcou uma fase importante do compacto da Ford no Brasil.
Com os motores 1.0 e 1.6 Zetec Rocam, transmissão manual e construção relativamente simples, tornou-se um veículo bastante conhecido tanto pelos proprietários quanto pelas oficinas independentes.
Hoje, entretanto, estamos falando de veículos com mais de uma década de utilização.
Por isso, mais importante do que perguntar apenas:
“Ford Ka G2 é bom?”
é perguntar:
“Este Ford Ka específico foi bem cuidado?”
Dois carros do mesmo ano e modelo podem apresentar condições completamente diferentes dependendo da manutenção recebida ao longo da vida.
Fontes e referências
Ford Brasil — Manual do Proprietário Ford Ka
Informações oficiais sobre motorização, transmissão, capacidades, sistema elétrico, suspensão, direção, fluidos e especificações técnicas do Ford Ka com motores Zetec Rocam 1.0 e 1.6.
Ford Brasil — Central de Manuais do Proprietário
Base oficial para consulta dos manuais e documentação técnica dos veículos Ford de anos anteriores.
Dica NISSI
Vai comprar um Ford Ka G2?
Não olhe apenas pintura, rodas e interior.
Abra o capô.
Observe o reservatório de expansão, procure vazamentos, escute o motor funcionando frio e quente e faça um teste de rodagem.
Se possível, faça uma avaliação pré-compra com um profissional.
Em um veículo com mais de dez anos, descobrir um problema antes da compra pode representar uma economia de milhares de reais depois.
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