Gasolina E35: testes com 35% de etanol começam no Brasil. O que pode mudar no seu carro?

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A gasolina brasileira pode ganhar ainda mais etanol.

O governo avançou com o plano de testes da chamada gasolina E35, composta por 35% de etanol anidro e 65% de gasolina.

Mas calma: isso não significa que a gasolina com 35% de etanol já está liberada nos postos.

Atualmente, a gasolina comum e aditivada comercializada no Brasil utiliza temporariamente 32% de etanol anidro, a chamada E32, percentual que entrou em vigor em 1º de agosto de 2026.

O objetivo agora é descobrir se aumentar essa quantidade para 35% é tecnicamente viável, principalmente pensando em consumo, emissões e durabilidade dos veículos.

E é justamente aí que a discussão fica interessante.

A gasolina pode chegar legalmente a 35% de etanol?

Sim.

A Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, permite que o Poder Executivo eleve o percentual de etanol anidro misturado à gasolina até 35%, desde que seja comprovada sua viabilidade técnica.

Ou seja:

a lei permite E35, mas isso não significa que os 35% possam simplesmente ser colocados nos postos sem testes.

Antes de uma eventual mudança definitiva, é necessário avaliar como essa mistura se comporta na frota brasileira.

Hoje já usamos gasolina E32

Esse detalhe é importante.

Durante muitos anos, a gasolina comum brasileira utilizou 27% de etanol anidro. Em agosto de 2025, o percentual passou para E30.

Já em 1º de agosto de 2026, o CNPE elevou temporariamente a mistura para 32%, pelo período de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação pelo mesmo prazo.

A gasolina premium permaneceu com percentual diferente.

Portanto, quando abastecemos atualmente com gasolina comum ou aditivada, já estamos falando de um combustível com uma quantidade significativa de etanol.

Então por que testar o E35?

Porque aumentar mais três pontos percentuais parece pouco, mas tecnicamente vários aspectos precisam ser avaliados.

O próprio Ministério de Minas e Energia informa que os estudos relacionados às misturas maiores incluem avaliação de:

  • dirigibilidade;

  • consumo;

  • emissões;

  • comportamento do motor;

  • durabilidade dos componentes;

  • efeitos da utilização do combustível no longo prazo.

E a durabilidade merece atenção especial.

Nos estudos que subsidiaram a adoção do E32, foram avaliados veículos leves e motocicletas, inclusive modelos exclusivamente a gasolina. Segundo o MME, não foram identificados impactos relevantes no funcionamento ou dirigibilidade durante esses ensaios.

Porém, os testes específicos de durabilidade de componentes ficaram justamente para a etapa de avaliação de misturas iguais ou superiores ao E35.

Ou seja: agora entra uma parte extremamente importante da análise.

Mais etanol pode aumentar o consumo?

Existe essa possibilidade.

O etanol possui menor quantidade de energia por litro quando comparado à gasolina. Por isso, aumentando sua participação na mistura, existe uma tendência de alteração no consumo volumétrico.

Mas não podemos simplesmente afirmar que:

“aumentou 3% de etanol, então o carro gastará 3% a mais.”

Não funciona dessa maneira.

O consumo final depende do motor, sistema de injeção, calibração eletrônica, eficiência da combustão, condições de utilização e capacidade do gerenciamento eletrônico de trabalhar com a nova mistura.

Esse é justamente um dos motivos pelos quais o consumo faz parte dos ensaios.

E existe alguma vantagem técnica?

Sim.

O etanol também possui características interessantes para motores de ciclo Otto, principalmente sua elevada resistência à detonação.

Uma mistura com maior presença de etanol pode apresentar maior octanagem e menor tendência à chamada “batida de pino”.

Porém, um motor precisa estar projetado e calibrado para aproveitar totalmente essas características.

Por isso não podemos analisar a questão apenas como:

mais etanol é melhor

ou

mais etanol é pior.

Tecnicamente existem vantagens e desvantagens que precisam ser analisadas no conjunto.

E os carros flex?

Em princípio, os carros flex possuem uma capacidade muito maior de adaptação.

Afinal, foram desenvolvidos justamente para funcionar com diferentes proporções entre gasolina e etanol.

Se um veículo consegue trabalhar utilizando etanol hidratado praticamente sozinho, uma gasolina contendo 35% de etanol anidro não representa uma alteração tão extrema para o gerenciamento eletrônico.

Mas isso não elimina a necessidade dos testes.

E carros somente a gasolina?

Aqui a situação fica mais interessante.

Existem no Brasil veículos:

  • antigos;

  • importados;

  • com injeção indireta;

  • com injeção direta;

  • carburados;

  • motocicletas;

  • motores desenvolvidos originalmente para combustíveis com percentuais menores de etanol.

É justamente essa diversidade da frota que torna importante avaliar o E35 antes de uma eventual adoção definitiva.

O próprio MME já reconhecia, nos estudos anteriores, a necessidade de atenção a veículos antigos e tecnologias específicas.

Um sistema de injeção eletrônica possui capacidade de corrigir a mistura por meio das informações da sonda lambda, mas essa capacidade não é infinita.

Além disso, não estamos falando apenas da quantidade de combustível injetado.

Existem componentes como:

  • bombas de combustível;

  • bicos injetores;

  • mangueiras;

  • vedações;

  • componentes metálicos;

  • sistemas de partida;

  • catalisadores;

que também precisam ser avaliados ao longo do tempo.

🔧 Visão da Oficina Nissi

Para nós, o ponto mais importante do E35 não é saber se um carro consegue ligar e andar com 35% de etanol.

Isso provavelmente é apenas uma parte da história.

A pergunta mais importante é:

o que acontece depois de milhares de quilômetros utilizando esse combustível?

Um veículo pode funcionar aparentemente normal durante algumas horas ou alguns quilômetros e ainda assim existir algum efeito de longo prazo sobre consumo, sistema de combustível, lubrificação ou componentes do motor.

Por isso, os testes de durabilidade são provavelmente a parte mais interessante dessa nova etapa.

Principalmente quando pensamos nos veículos exclusivamente a gasolina e nos carros mais antigos ainda presentes na frota brasileira.

A gasolina E35 já tem data para chegar aos postos?

Não.

Essa é uma informação importante para evitar confusão.

O avanço dos testes não significa aprovação definitiva do E35 para venda.

A eventual adoção dependerá dos resultados técnicos e de uma nova decisão regulatória. A própria resolução que colocou o E32 temporariamente nos postos condicionou uma decisão definitiva sobre E32 ou misturas superiores à avaliação do E35.

Portanto, por enquanto:

Gasolina atual: E32.

Gasolina E35: em processo de avaliação e testes.

Conclusão

A gasolina com 35% de etanol está cada vez mais próxima de se tornar uma possibilidade real no Brasil, mas ainda existe uma etapa técnica importante pela frente.

E essa etapa interessa diretamente ao motorista.

Mais do que saber se o veículo consegue funcionar com E35, será necessário descobrir os efeitos sobre:

consumo, emissões, dirigibilidade e principalmente durabilidade.

Para carros flex, a adaptação tende a ser menos preocupante devido à própria concepção do sistema.

Já veículos antigos e modelos exclusivamente a gasolina merecem atenção especial nos resultados.

Agora resta acompanhar os testes.

E fica a pergunta:

você colocaria gasolina E35 no seu carro tranquilamente ou acha que 35% de etanol já é demais?

NISSI EletricMec — Te ajuda na elétrica e na mecânica.